domingo, 25 de abril de 2010

Lú,
acho que nunca expressei de verdade o quanto tem sido importante a tua presença na minha vida... é estranho, tem coisas que não consigo falar. Dizer meus afetos é uma coisa que dói. O esquisito é que escrever não me incomoda, pelo contrário, é uma redenção (supusemos que eu acredite em redenções que não sejam a de Porto Alegre!). Eu acredito sinceramente que este blog será uma espécie de terapia para nós duas. Estou apostando nessa ideia. Vai ser legal.
Mas, voltando ao assunto, te conhecer foi uma coisa muito boa. Eu posso não ser lá muito religiosa e não acreditar em (mais da) metade dessas coisas que proclamam por aí, mas - clichezinho básico - não foi por acaso que caímos na mesma seleção e, posteriormente, no mesmo trabalho, na mesma reunião em que eu entrei de gaiata e só me dei conta de que não era para eu estar ali lá pelo meio, lembras? Às vezes até tenho medo desse "não-acaso". Por que te encontrei naquele momento da minha vida?
Não sei, só sei que te tornaste a Margarida, a Caia, com um lugarzinho muito especial nos meus pensamentos. Amiga para todas as horas, e isso não é uma expressão pronta que eu uso sem refletir: PARA TODAS AS HORAS MESMO! É, vai ser realmente muito bom escrevermos aqui no (In)completas. Discutiremos literatura? Faremos confissões públicas? Falaremos de Filosofia, Linguística e Cerveja? Diremos nossas ansiedades? Encontraremos nosso lugar deslocado no mundo? Seremos existencialistas, marxistas, foucaultianas, deleuzianas? "Sujeitas" modernas, pós-modernas, hiper-modernas, mega-modernas, exageradamente modernas ou clássicas, positivistas e cartesianas? Criticaremos um mundo em que não cabemos? Criaremos mundos? Não importa. Estaremos aqui, por horas, mais sérias do que de costume, por horas, mais engraçadinhas do que normalmente.
Olha, a ideia do blog está se tornando realidade. Já tínhamos, há bastante tempo falado nisso, mas, modificamos nossos objetivos, crescemos um pouco, tomamos algumas cervejas, alguns vinhos, champagnes, "chimarrões", pensamos bem e surgiu a história da correnspondência, que me parece muito mais acertada. Essa coisa da escrita que nos assalta em tantas madrugadas vai ter mais um lugar para se realizar e me parece que vamos evoluir com tudo isso. Vamos exercitar o nosso "lápis" e, talvez, encontrar alguns caminhos "estilísticos" para as nossas vidas de "escrevedoras".
A única coisa que lamento é o fato de não nos correspondermos em manuscritos. Com essa história de Internet, nós deixamos mesmo de (re)conhecer a letra dos amigos. Sabe, há uns anos, eu ia aos Correios quase todos os dias, eu tinha vários "correspondentes". Hoje, não sei quanto custa um selo. Esta correria em que a gente anda nos impede até disso. Mas, adaptemo-nos! Já que a gente trabalha tanto no computador, que seja mesmo por aqui. Assim, podemos dividir nossas loucuras com outras pessoas. Mas eu certamente vou pensar seriamente em começar a deixar "bilhetinhos" para todas as pessoas importantes para mim. Imagina chegares para trabalhar e encontrar um bilhetinho meu com umas linhas da Clarice, da Ana C., do Caio F., do Chacal, do Chico? Do Sabina, do Fito, do Ramil? Ou então posso colocar sem tu perceberes na tua bolsa e, dez mil anos depois, abrirás um bolsinho imperceptível e terá ali uma surpresinha agradável!
Já é tarde, Margarida, vou me despedindo. Mas não quero que deixes de perceber o quanto"te gosto", a amiga que és, o quanto me fazes bem, o quanto eu cresço estando contigo (e com toda a nossa máfia, não é?). A gente cria redes, redes de afetos em que cada um "puxa um fio" de conexão com os outros. E esses fios nunca são os mesmos, mas existem e vamos preenchendo aos poucos um vazio que é inerente a nós. Afetos, nada mais. É do que a gente se alimenta, não é?
Com carinho,
Jana

PS: estou pensando seriamente em passar a assinar meu nome com a inicial minúscula. Essa ideia de letra maiúscula expressa uma hierarquia e uma singularidade desnecessárias: eu sou uma rede de afetos, certo? Beijo, jana

4 comentários:

Zisco disse...

Chinóca, demorei mas cheguei aqui, o link não estava funcionando.

Vc nem imagina o quanto gosto de te ler e ver vc colocar toda essa tua capacidade de ser linda em verso e prosa.

Vou voltar para ler e me deliciar sempre.

Beijos!

janaina brum disse...

Obrigada, amigo Zisco! Há tanto tempo já nos relacionamos por este mundo de blogs! Aguarda para ver os textos daLú, ela é esplêndida!
Beijo no cuore!

augusto disse...

(In)completas... não poderia deixar de fazer um comentário diante de palavras tão carregadas de sentidos... sentidos! sabe lá o que podemos extrair daí... mas uma coisa é certa... sentime-se emocionado e orgulhoso ao ler a interlocução de vcs, pois, a final de contas, tenho as duas como minhas amigas, companheiras, colegas e confidentes... comentava a pouco com a (in)completa jana, o quanto tenho me deixado levar pelas mazelas desse mundo dolorido, com pouco tempo para transcender e viajar nos devaneios que , assim como a vcs duas, me permitem passear por um mundo diferente, o nosso mundo! Aquele que nos faz dizer e dizer do modo como achamos que deve ser, que nos empurra para uma "verborragia" magnífica, capaz de levar qualquer um à dúvida de quem somos nós... (In)completa Lú, realmente acho que vcs saíram do labirinto... eu eu que estava quase achando a saída! Sem queixas, depois de ouvir as palavras das minhas sujeitas/amigas, percebo que vou me libertar... e que em breve estarei caminhando com vcs para além desse labirinto melancólico e embebido de "faltas de sentido" que a maioria julga valoroso... enfim, é um prazer compartilhar momentos de reflexões linguísticas, literárias, exostenciais e vazias co vcs... ah! esse vazio, com certeza nos alimenta muito... e nos faz querer seguir em frente, juntos! Para além do labirinto...
beijos e açúcar para as duas... eu até prefiro o sal, mas acho que o momento pede açúcar... onde estás o sentido?
do (in)completo... ainda bem!
augusto

luciene santos disse...

Com açúcar e com afeto revelo meus sentimentos pelo (in)completo!