terça-feira, 4 de maio de 2010

Jana:

Hoje se faz urgente ser intensa. E agora chove na úmida e histórica Satolep...

Depois de vários dias de silêncio voltei aos manuscritos virtuais. Várias pessoas, várias atividades e vários assuntos e em muitos momentos pensando: “vou escrever sobre isso! Vou escrever sobre aquilo!”. Mas como é complicado manter o foco frente a tanta multiplicidade... e como ser a mesma o tempo todo? Isso não me parece existir; ainda mais para nós mulheres (num dia amamos e no outro odiamos), tão múltiplas e tão atarefadas (ou afetadas pelo cotidiano?): filha, irmã, mãe, tia, mulher, trabalha em casa, trabalha na rua, faz o jantar, pinta a unha, retoca a raiz do cabelo (que este mês cresceu mais do que o normal), refaz a progressiva (quando pode), lê o livro, faz francês, aquece a água para o mate, toma um banho, arruma a mesa, desliga o PC, apaga a luz, boa noite, deita e dorme. Haja paciência e humor! ...

(Quiçá as palavras abaixo respondam as tuas várias interrogativas das cartas anteriores... vamos lá!)

Flor, me chamaste de Caia (aiê, eu tenho labirintite!!)! Nem perto chego dele, apenas me inspiro nesse ser fantástico que foi. E, imprevistamente, tanto nos inspira: primeiro pelas cartas que ele escreveu e segundo pelo seu lugar imaginário. Já falei do conto “Introdução ao Passo da Guanxuma” (in-tro-du-ção!!)? Impossível não sentir-se dentro de um carro (ônibus, caminhão, moto, bicicleta... desde que cheguemos lá com a nossa imaginação!) percorrendo as patas daquela aranha: “(...)uma pequena aranha inofensiva, embora louca, com suas quatro patas completamente diferentes umas das outras.” Palavras que mais parecem definir a todos nós do que ao lugar fictício, afinal: de perto ninguém é tão normal assim, Jana. E tudo isso começou com uma conversa com a A. -- chegada “das Europas” (lembras que te contei?)completamente fascinada pelos livros de Caio F. (e como são as coisas: ele estava aqui o tempo todo!!): dividiu o “Passo” comigo, que dividi as “Ovelhas” contigo (que já havias estudado a amiga dele!!) que seduzidas pelo Augusto (ave, Cézar!)fomos ‘insanamente’ ao teatro.
E quem algum dia teria arquitetado tão bem uma rede dessas? E, agora, aqui estamos com as nossas correspondências (in)completas. Se a vida é tão rara, tão rápida e nós sempre tão insatisfeitas, que motivos teríamos para que as nossas correspondências fossem completas? Que graça haveria nessa loucura toda?


P.S.: Depois de ter escrito fiquei pensando: onde estão meus adjetivos? Aqueles que estão sempre bem guardados para a tua GRANDE pessoa?! Que o teu afeto me afetou é fato evidente (e, por favor, que isso não seja distorcido por alguma mente podre)... mas a insatisfação sempre fica incomodando (parece que falta alguma coisa!!). E na verdade não falta. Estamos vivendo, convivendo e correspondendo correspondências: isso me parece tão forte quanto o que aqui está sendo dito!

Com carinho,
Lu.

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